sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Senta que lá vem a história (*)

Quando eu era pequena - e até hoje, na verdade - minha mãe tinha o hábito de chegar do mercado com frutas e imediatamente fazer todo o processo de lavar / deixar de molho no vinagre ou água sanitária / enxaguar com água filtrada / colocar em um pote / guardar na geladeira. Com isso, criei o hábito também de pegar o primeiro pote de uvas que visse e sentar no sofá pra ver Os Impossíveis [#velha], comendo as uvas como pipoca.

Em uma dessas me ferrei de verde e amarelo.

Minha mãe estava com pressa sabe-se lá por qual motivo e, em vez de executar todo aquele procedimento, guardou as uvas na geladeira para lavar depois. Eu, mal acostumada, peguei as uvas e segui com minha rotina, comendo sem nem olhar.

[cinco minutos olhando para a tela do computador sem conseguir escrever]

Ok, tentei escrever o que houve e não consegui. Travei. Comecei a ter calafrios.
De forma bem resumida, tinha um ninho de aranhas no meio do cacho de uvas. Imaginem o resto porque eu não vou conseguir escrever, não.

Foi assim que passei três anos sem conseguir comer uvas [até hoje tiro uma por uma do cacho para lavar] e como passei a sofrer de uma aracnofobia bizarra, que já me rendeu trocentas passadas de vergonha em público [inclusive dando aula pra uma turma de uns quarenta alunos de engenharia].




Guarde essa informação, será importante no futuro.



Então.
Com o resultado da tireoidectomia, a dúvida que eu tinha sobre precisar ou não fazer radioiodoterapia virou certeza, bastava decidir quando seria.

Antes da cirurgia conversei muito com minha endócrino sobre, caso fosse necessário fazer, adiar por um tempo já eu não poderia mais amamentar depois que realizasse o procedimento [e isso rende outra publicaçãomas essa é uma outra história e terá que ser contada em outra ocasião]. Como foi encontrada metástase, ela sugeriu que fizéssemos o mais rápido possível.

Como toda a preparação foi atribulada - por falta de palavra melhor -, não consegui correr atrás da liberação do Thyrogen pelo plano de saúde, e por isso precisei parar de tomar levotiroxina cerca de um mês antes do procedimento. Duas semanas antes comecei também a dieta pobre em iodo [e aqui mais um desabafo: só eu penei pra conseguir comprar sal não iodado?].

Antes de escrever fiquei pensando em qual teria sido a pior parte daquele mês, e de cara lembrei que foi trash acordar de madrugada para amamentar me sentindo a mosca do cocô do cavalo do bandido de tão esgotada, mas aí lembrei que foi um mês inteiro sem queijo. Agora tô em dúvida.

Falando sério, foram todos os sintomas de hipotireoidismo, mas on steroidsE sem queijo [é, eu gosto muito de queijo].

Por isso mesmo é que quando me disseram que a dieta estaria liberada algumas horas depois de tomar a dose de iodo radioativo, aloprei na hora de arrumar a mala:




Ou: assalto à cantina da escola

Nota mental: tentar corrigir essa foto porque o Blogger tá me trollando.


Tolinha... Mal sabia como seriam os dias que viriam...


(*) Se você não é velho e não pegou a referência, clique aqui!

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